São-Tomé, 16 Fev. (STP-Press) – O primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, defende que a cooperação portuguesa deve ser repensada “com alguma criatividade” e que Portugal deve comprometer-se mais.

“É preciso nós continuarmos a fazer a advocacia de que São Tomé e Príncipe é também uma oportunidade para Portugal e é importante que as autoridades portuguesas percebam isso e haja um engajamento mais forte do lado delas”, defende o primeiro-ministro são-tomense.

Em entrevista à agência Lusa, Patrice Trovoada considera que é necessário pensar a cooperação portuguesa de forma mais criativa. “As coisas não estão ao nível mais desejável, mas nada melhor que falarmos e vermos o que podemos fazer, se há necessidade de revermos as nossas expectativas, de termos alguma criatividade”.

Segundo o primeiro-ministro de São Tomé, o Governo são-tomense tem um projeto e uma visão sobre o posicionamento de São Tomé e Príncipe no mundo, mas sobretudo na sub-região, “que também pode ser benéfica para os interesses portugueses”, nomeadamente na área do investimento, “não apenas do setor privado, mas também do setor público”.

O chefe do Governo admitiu também a necessidade de São Tomé “explicar melhor” as suas expectativas em relação à cooperação portuguesa, nomeadamente a importância do apoio de Portugal na reforma da justiça e da administração são-tomenses.

Entre os projetos que estão por concretizar, Patrice Trovoada deu como exemplo um acordo para uma linha de crédito para o setor empresarial, assinado há três anos, mas cuja verba ainda não foi desembolsada por Portugal.

Patrice Trovoada considera que a visita de Estado que Marcelo Rebelo de Sousa realiza na próxima semana a São Tomé e Príncipe, de 20 a 22 de fevereiro, pode ser “uma oportunidade” para reforçar a cooperação entre os dois países.

CPLP pode deixar de fazer sentido

Nesta entrevista à agência Lusa, o primeiro-ministro são-tomense defende que os países lusófonos não estão a “fazer um bom uso” da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) devido às suas agendas internas. Por isso, avisa que a organização pode “deixar de ter interesse” nos próximos anos.

Para Patrice Trovoada, a CPLP podia “ser mais interventiva”, nomeadamente em relação às questões ou conflitos internos dos Estado-membros, mas para isso é preciso que encontrar “um novo patamar” sobre o que liga os países lusófonos.

Segundo o primeiro-ministro, fazia sentido a ligação entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) com Portugal, porque têm “coisas em comum” e souberam “ultrapassar a rutura da descolonização” para tentar evoluir e “pôr no mesmo barco os seus interesses”, mas depois, com a entrada do Brasil “alguma coisa se perdeu”.

“É preciso voltarmos à questão do que é que temos em comum e eu acho que a língua não é suficiente”, disse, dando como exemplo a questão económica, institucional ou os recursos humanos como áreas prioritárias.

“Estou convencido que se nós não chegarmos a esse ponto de fusão, a CPLP vai deixar de ter muito interesse nos próximos anos para cada um de nós”, referiu Patrice Trovoada.

Questionado sobre se São Tomé e Príncipe vai cumprir o acordo feito com Portugal de exercer dois anos no secretariado executivo da organização, dando depois lugar a um representante português de 2019 a 2020, Patrice Trovoada referiu que cabe às autoridades portuguesas decidirem o que fazer.

“Esse foi o acordo que se encontrou, se as razões que levaram a esse acordo permanecem, esse acordo é para se manter. A questão foi mais levantada por Portugal. Se Portugal mantém essa posição, o acordo mantém-se”, disse.

Os países que integram a CPLP são Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Fim /STP-Press /Lusa

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