São-Tomé, 07 Jan ( STP-Press) – Um grupo de militares ocupou a sede da rádio nacional do Gabão durante a madrugada desta segunda-feira para manifestar o descontentamento com o Presidente do país, Ali Bongo. Sem apoio do topo da hierarquia do Exército, a tentativa de golpe foi neutralizada ao fim de poucas horas, Soube-se hoje de fontes estrangeiras

Noticias do estrangeiro dão conta que quatro dos cinco oficiais que tinham ocupado a emissora nacional de rádio estão agora sob custódia. Um quinto está em fuga.

Eram 4h30 em Libreville (3h30 em Lisboa) quando um grupo de soldados apelou na sede da televisão estatal, e gravou para as redes sociais, a um “levantamento” popular contra o presidente Ali Bongo, que se encontra em Marrocos a recuperar de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Ladeado por dois outros militares da Guarda que geralmente protege o Presidente, um jovem que se identificou como tenente Kelly Ondo Obiang, começou a ler a mensagem em que anunciava um “Conselho de Restauração Nacional”.

Na mesma zona da capital do Gabão, eram disparados tiros. Tanques e veículos armados eram avistados nas ruas de Libreville.

Obiang, que também se apresentou como líder do grupo Movimento Patriótico Juvenil das Forças de Segurança do Gabão e vice-comandante da Guarda Republicana, afirmava que tomara o poder “para restaurar a democracia” no Gabão – país rico em petróleo -, apelando às pessoas para “assumirem as rédeas do seu destino”.

“O dia ansiosamente esperado chegou quando o exército decidiu colocar-se ao lado do povo para salvar o Gabão do caos”, afirmou. “Se você está a comer, pare; se está a tomar uma bebida, pare; se está a dormir, acorde. Acorde os seus vizinhos … levante-se como um só e assuma o controle da rua ”, acrescentou.

Depois, instigava a ocupação dos aeroportos, edifícios públicos e organizações de comunicação social do país.

Cerca de 300 pessoas concentraram-se em frente à sede da televisão estatal para apoiar os soldados, refere a Reuters. No entanto, foram dispersados com gás lacrimogéneo.

O ministro gabonês das Comunicações considerou que se trata de “um grupo de brincalhões e (que) a hierarquia militar não os reconhece”.

O grupo de militares rebeldes não obteve o apoio do topo hierárquico do Exército e a tentativa de golpe terá sido debelada pelas forças leais ao Governo.

Citado pela agência France Presse, o porta-voz do Governo do Gabão afirma que a “calma regressou” ao país e que a “situação está sob controlo”.

Guy-Bertrand Mapangou explicou que as forças de segurança foram deslocadas para Libreville, onde vão permanecer nos próximos dias para garantir a ordem.

De acordo com Mapangou, as fronteiras do país vão continuar abertas. O porta-voz atribuiu ainda aos cidadãos os disparos escutados na capital durante a madrugada.
Em outubro passado, Ali Bongo estava numa visita à Arábia Saudita quando se sentiu mal. Foi recuperar para Marrocos, de onde se dirigiu aos país, para uma mensagem de Ano Novo. Na cama do hospital, admitia ter passado por “um período difícil, como às vezes acontece na vida” e anunciava que iria regressar ao Gabão em breve.

Na perspetiva de Obiang, a debilidade evidenciada por Bongo “reforçou as dúvidas sobre a capacidade do Presidente em continuar a cumprir as responsabilidades do seu cargo”.

Os soldados consideram que o discurso televisvo de Bongo foi “uma visão lamentável” e uma “tentativa implacável de se agarrar ao poder”.

Ali Bongo “herdou” a presidência da República do pai, Omar Bongo, que governou o país durante 41 anos. Omar Bongo desperdiçou uma parte significativa da vasta riqueza petrolífera do Gabão e manteve laços estreitos com a França, a antiga potência colonial.

Ali foi eleito em agosto de 2009 numas eleições contestadas e marcadas por violência.

A oposição fala de uma “deriva autoritária” e uma “personalização do poder”.

Foi reeleito em 2016, num escrutínio amplamente apontado como fraudulento. Ali Bongo venceu o rival Jean Ping com 49,8 por cento dos votos.

O opositor registou 48,23 por cento dos votos e era o esperado vencedor, até na região de Haut Ogooué, onde Bongo é oriundo.

No entanto, a comissão eleitoral anunciou uma taxa de participação de 99,98 por cento em Haut Ogooué e que 95 por cento dos que lá votaram, escolheram Ali Bongo.

Nas restantes regiões, foi registada uma taxa de participação de 59 por cento.

A oposição acusou a Guarda Republicana de bombardear a sua sede no período que subsequente.

Fim/ STP-Press/ Fonte estrangeira

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