“Voador Panhá” gera polémica

na cidade de Neves

Foto de Manuel Sousa.

Por: Manuel Dênde, em São Tomé e Príncipe

São Tomé, 12 mai. 2017 (STP-Press) – O levantamento de “Voador Panhá”, neste mês de maio, está a gerar polémica na cidade de Neves, no distrito de Lembá, norte da ilha de São Tomé, denunciou hoje, a Rádio Nacional, principal emissora pública do país.

O levantamento entendido localmente por captura, todos os anos neste mês é precedido de um ritual, promovido apenas por um grupo de pescadores locais e naturais (Autóctones), de Neves, cidade que dista 27 km da capital são-tomense.

A polémica, porém, se deve ao facto de pessoas estranhas, nomeadamente, vindas de outras praias ou bairros litorais da ilha de São Tomé, para alegadamente invadirem o cardume deste peixe.

“Voador Panhá” é uma espécie de peixe que procura as águas de São Tomé e Príncipe neste mês de maio.

É bastante apreciado e consumido pela maioria da população e degustado pela classe média e alta são-tomense e estrangeiros em bares, restaurantes e “luxáns” (pequenos bairros) como aperitivo.

Manuel Venâncio, em declarações à emissora pública são-tomense denunciou a sua decepção, desgosto e repulsa pela não observância de rituais e cerimonial que precede todo o processo de captura inicial do tal peixe.

“Hoje, as pessoas já não respeitam a tradição”, denunciou.

“Antigamente, pela madrugada, nós constituíamos em grupo, com orações e folhas e só depois disso se poderia capturar o “Voador Panhá”, explicou.

“Hoje, pescadores de outras praias, nomeadamente, outras comunidades piscatórias [em São Tomé], invadem e atropelam a tradição e não conhecem o ritual”, lamentou.

As situações anormais que se registam no mar como na terra “são resultado dessa desobediência”.

Indagado pelo jornalista á explicar quais situações, pontuou, por exemplo, “a contradição entre pescadores de diferentes praias e/ou comunidades”.

“Os pecados que vivemos hoje são em certa medida”, segundo Venâncio, de “erros, e atropelos as nossas tradições”.

“Voador Panhá” é um cardume de peixe, que vindo de zonas frias do norte de África, procura neste período de maio as águas trópicas de São Tomé e Príncipe para a desova.

E trata-se de um pescado, que num período deste, ameniza as pequenas economias familiares, sobretudo, de são-tomenses mais pobres e de fraco poder de compra.

De acordo com Manuel Venâncio, geralmente o “voador”, antigamente, era levantado á 15 de maio.

Ele lamenta e denuncia o facto deste produto piscatório já está a ser comercializado nos mercados da ilha de São Tomé.

“Sim, a fome que hoje existe em São Tomé, é a praga da inobservância de regras, tradições ou ritual que estamos a pagar”, constatou.

Sublinha que é também neste período que pescadores de outras comunidades do país, nomeadamente, do sul, promovem romaria denominada “Tcháda”, para Neves.

Em “Tcháda”, pescadores organizam-se em grupo e constituem-se tendas e outras moradias, durante 15 ou 20 dias, para irem a faina e eventualmente, criarem alguma economia.

E é daí, que se verifica a salga de peixe, designadamente, voador, tubarão e outras espécies de pescado.

No entanto, é vulgar neste período ver e ser vendido em diversos mercados da cidade de São Tomé, peixe “Voador Panhá”.

É neste período que amigos e familiares constituem-se em grupos, para excursão e/ou em turismo interno, preferencialmente, aos fins-de-semana, para comerem e degustarem “Voador Panhá”.

Fim/MD

 

 

 

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