Por: Xu Yingzhen, Embaixadora da China em São Tomé e Príncipe
SãoTomé, 18 Mar ( STP-Press) – Reflexão por ocasião da implementação integral de Tarifa Zero e do lançamento do Ano China-África de Intercâmbio entre os Povos.
Em 14 de fevereiro, na mensagem de felicitações ao Presidente em exercício da União Africana (UA) e Presidente de Angola, João Lourenço, bem como ao Presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf pela 39ª Cúpula da UA, S.E. Xi Jinping, presidente da República Popular da China, anunciou que a China implementará integralmente, a partir de 1 de maio de 2026, a política de Tarifa Zero para todos os 53 países africanos que têm relações diplomáticas com a China, o que implica um compromisso solene que marca um novo ponto de partida na história das relações China-África. Não é apenas uma firme promessa da China de ampliar a sua abertura de alto nível ao exterior, mas também um retrato vivo de como a China e a África caminham lado a lado rumo à modernização, partilhando benefícios.
No âmbito económico e comercial, a implementação integral da política de tarifa zero para a África baixará significativamente o limiar de entrada dos seus produtos no mercado chinês, diminuindo os custos de exportação, aumentando a presença dos seus produtos no mercado chinês, o que libertará o potencial do comércio África-China, estimulará a capacidade endógena de desenvolvimento africano, reforçará a dinâmica da nossa cooperação económica e comercial e promoverá a evolução da parceria para uma cooperação industrial mais profunda.
No âmbito político, a política de tarifa zero é uma importante medida tarifária benéfica que a China adota de forma unilateral, tendo em conta a conjuntura internacional e as necessidades reais da África, o que constitui uma prova convincente dos esforços concretos da China para promover a construção de uma comunidade China-África com um futuro compartilhado para todas as condições na nova era.
No âmbito social, a política de tarifa zero permitirá dos produtos africanos com vantagens competitivas a entrada ao mercado chinês. Como estes setores económicos estão intimamente ligados ao emprego e aos meios de subsistência das populações africanas, beneficiará diretamente a expansão das exportações, aumentando o emprego e melhorando as condições de vida, impulsionando assim o processo de redução da pobreza em África e proporcionando aos povos africanos uma percepção tangível dos benefícios da amizade sino-africana.
Bem como um antigo provérbio chinês diz, o caminho pode ser difícil quando se trabalha sozinho, mas as coisas se tornam mais fáceis quando as pessoas trabalham juntas. No contexto atual de ressurgimento do protecionismo comercial global e de estagnação da globalização, esta medida preferencial unilateral sem precedentes por parte chinesa demonstra a sua determinação em abrir os braços aos irmãos africanos e partilhar com eles os frutos da modernização. A abertura alargada da China aos países africanos reflete-se principalmente em três aspetos:
Em primeiro lugar, o aperfeiçoamento do mecanismo de via verde para produtos agrícolas africanos, que, paralelamente à implementação da tarifa zero, visa aumentar a eficiência alfandegária e reduzir os custos logísticos em termos de tempo. No futuro, produtos agrícolas como o cacau e o café de São Tomé e Príncipe poderão chegar às famílias chinesas num período mais curto e a um custo mais baixo, fortalecendo a competitividade dos produtos e beneficiando os setores relevantes.
Em segundo lugar, a China continua a promover a negociação e assinatura de Acordos de Parceria Económica para o Desenvolvimento Comum. Não nos interessa apenas comprar e vender mercadorias, mas sim, com base nas preferências tarifárias, adicionar cooperação em investimento e transferência de tecnologia, ajudando os países africanos a construir um quadro de cooperação económico-comercial mais estável e sustentável.
Em terceiro lugar, a política de tarifa zero aplica-se a produtos que cumpram as regras de origem, o que incentivará os países africanos a desenvolverem o processamento e a fabricação local. Acreditamos que, num futuro próximo, mais produtos de elevado valor acrescentado entrarão no mercado chinês com a marca “Fabricado em África”.
Os laços entre a China e África não se refletem apenas nos dados crescentes do comércio, mas também estão gravados na compreensão, no respeito e na amizade entre os seus povos. O ano de 2026 assinala não só o 70º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e países africanos, mas também o “Ano China-África de Intercâmbio entre os Povos”, conjuntamente designado por ambas as partes. Ao longo do ano inteiro, organizaremos juntos cerca de 600 atividades culturais sob o lema “Consolidar a amizade para todas as condições e perseguir juntos o sonho da modernização”, atividades que envolvem forças juvenis, culturais, mediáticas, entre outras, e cobrem todos os domínios do intercâmbio sino-africano.
O facto de a China e a África apostarem nos laços humanos e culturais para forjar consensos estratégicos constitui não só a melhor homenagem a sete décadas de percurso de amizade, mas também demonstra ao mundo que diferentes civilizações podem perfeitamente superar barreiras e tratar-se com igualdade. Num momento em que se aceleram as mudanças nunca vistas num século, é particularmente profundo o significado desta opção.
O intercâmbio cultural sino-santomense já criou raízes sólidas. No ano passado, a Embaixada da China organizou uma série de atividades de intercâmbio cultural, incluindo mostras de filmes, eventos recreativos e um desfile de moda de Qipao (traje chinês). As equipas de peritos chineses promoveram múltiplas cooperações práticas, acumulando, através destes contactos quotidianos, a confiança e o entendimento entre os dois povos.
No âmbito do ano China-África de Intercâmbio entre os Povos, o intercâmbio cultural sino-santomense será ainda mais aprofundado. A parte chinesa proporcionará plataformas de diálogo para que os dois povos, especialmente a camada jovem, possam consolidar a sua amizade, promovendo um maior conhecimento e aproximação mútuos através do intercâmbio e da partilha. Mais obras cinematográficas chinesas serão disponibilizadas em São Tomé e Príncipe, e diversas atividades de experiências culturais permitirão que o povo santomense tenha um contacto direto com o estilo chinês.
Os médicos chineses continuarão a realizar consultas gratuitas em todos os distritos do país, e os especialistas da equipa agrotécnica continuarão a deslocar-se ao campo para ensinar técnicas práticas aos agricultores. Estas medidas estão a injetar mais impulso no desenvolvimento estável e duradouro das relações bilaterais.
Como o presidente Xi Jinping diz, as civilizações tornam-se mais coloridas através do intercâmbio e mais ricas através da aprendizagem mútua. A história da cooperação entre a China e São Tomé e Príncipe é precisamente um exemplo vivo do intercâmbio cultural sino-africano, o qual promove compreensão em vez de erguer muros, ajuda a realizar-se em vez de isolar-se.
É esta nutrição mútua, silenciosa como a chuva que fecunda a terra, que permite à amizade sino-africana atravessar as vicissitudes do tempo e permanecer sempre renovada.
Trata-se de um encontro que transcende oceanos: a tarifa zero permite que os produtos africanos entrem na China, e o intercâmbio cultural aproxima os povos chinês e africano, promovendo o conhecimento recíproco. Num mundo marcado por incertezas, os povos chinês e africano, ao apostar mais uma vez em unir as nossas forças, vamos fazer contribuições inestimáveis para o desenvolvimento e o progresso da humanidade.
Fim /Xu Yingzhen
















