Por: Ricardo Neto, jornalista da Agência de Notícias STP-Press
São-Tomé, 5 Set 2020 ( STP-Press) – A Coligação PCD-MDFM-UDD disse hoje entender que
“Procurador-Geral da República é politicamente responsável parente o governo”,
contrariando os argumentos do Presidente da República no âmbito de um desentendimento
entre o Ministério Publico e a Policia Judiciária por causa de desaparecimento
de droga nas instalações desta polícia.
Num comunicado da Coligação lido por
seu porta-voz, Arlindo Graça, esta força política no poder diz entender que “Procurador-Geral
da República é politicamente responsável parente o governo, independentemente
da sua autonomia administrativa, tendo em conta que é nomeado e exonerado sob
proposta do governo, não tendo o Presidente da República quaisquer competências
discricionárias constitucionalmente para análise de tais propostas”.
A coligação sustenta que “se por um
lado o governo decidiu retirar a confiança politica ao PGR, Procurador-Geral da
República por entender que este não tem vindo a exercer as suas funções com a desejável
transparência e isenção no que conta com a firma concordância da Coligação
PCD-MDFM-UDD”.
“Esta é obviamente a essência da confiança política
do governo, sendo, constitucionalmente o Primeiro-ministro o mais alto responsável
da Administração Pública. Tanto mais que é o governo quem traça as orientações
e diretrizes genéticas para o funcionamento da referida instituição” – adianta
o comunicado da Coligação.
O documento sublinha que “por esta
razão a Coligação não compreende e julga que tal sentimento é também da maioria
da nossa população, que o mais alto magistrado na nação faça o papel de
advogado de defesa de uma das partes envolvidas”
“A Coligação apela as partes envolvidas
a encontrarem as melhores formas de solução desta contenta e que tudo se faça
para esclarecer os duvidosos casos da atualidade, dentre outros, o contrabando
no porto de Fernão Dias e o desaparecimento das bolotas de droga, processos que
se encontram sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da República e da
Polícia Judiciária, evitando-se em absoluto, o desnecessário advento de uma
crise politica no País”- lê-se no comunicado.
“A Coligação lamenta e condena a
forma como a droga tem vindo a circular e a ser comercializada no País,
colocando em causa a saúde das nossas populações, com maior relevância para os
jovens e, bem assim, o sucessivo desaparecimento de parte da porção apreendida
e conservada sob a responsabilidade das instituições judiciais”, sublinhou o
porta-voz.
O documento acrescenta que “a
coligação insurge-se igualmente contra a forma como alguns traficantes devidamente
identificados e, em determinados casos, sob a barra da justiça, tenham sido
protegidos, directa ou indirectamente por responsáveis políticos ao mais alto nível”.
A Coligação diz sustenta ainda que “prova
disso é o caso de um cidadão nigeriano, detido e recorreu da decisão e, enquanto
aguardava, em liberdade condicional, a decisão do recurso, viu a sua pena
ineditamente indultada pelo Presidente da República”.
“De salientar que a Policia
Judiciária foi criada através da lei 01/2018, promulgada pelo actual Presidente
da República”, diz a Coligação PCD-MDFM-UDD, sublinhado que “sobre a matéria não
faltou aviso a sua Sua Excelência o Presidente da República sobre algumas
incongruências e duplicidade de competências que poderiam, no futuro, pôr em
causa a funcionalidade plena deste dois órgãos.
A Coligação diz não entender “ como o
mesmo Presidente da República que assistiu impávido e sereno em 2017 -2018, o
derrube do Supremo Tribunal de Justiça bem como a intervenção da polícia a
mando do XVI Governo para invadir a sala do Plenário da Assembleia Nacional,
com ordem expressa para atirar contra os deputados, dignos representantes do
povo, não se tenha pronunciado”.
O comunicado da Coligação PCD-MDFM-UDD surge quase 24 horas depois do
Presidente da República, Evaristo Carvalho numa mensagem ao País ter manifestado
“espanto e profunda indignação” por Governo ter declarado retida de confiança
ao Procurador-Geral da República, PGR, no âmbito do supracitado desentendimento
com a Directora da Polícia Judiciaria, PJ, por causa de desaparecimento de
droga nas instalações desta polícia.
Fim/RN