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Primeiro-Ministro admite remodelar governo e diz que caso do cônsul de Marrocos já está ultrapassado

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Texto: Ricardo Neto ** Foto: Lourenço da Silva

São – Tomé, 10 Jul ( STP-Press ) – O primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus numa entrevista esta quinta-feira na TVS, admitiu a possibilidade de uma remodelação governamental e assegurou que o polémico caso da indigitação do francês Vincent Miclet para Cônsul são-tomense em Marrocos “já está ultrapassado”.

Questionado sobre uma eventual remodelação do seu governo, Jorge Bom Jesus foi perentório em responder que “ nós precisamos de algum refrescamento no governo, mas também noutras estruturas e também a nível de decisões intermédias”, tendo sublinhado que “ há necessidade disto, é perfeitamente natural, isto acontece em qualquer processo de governação”.

“ Vamos precisar de incutir uma nova dinâmica e maior eficácia, possivelmente trocar as peças, há peças que não estão nos seus devidos lugares”, explicou Jorge Bom Jesus, acrescentando que “ é um trabalho que está a ser feito … eu tenho a minha avaliação”.

Disse ainda que “ como qualquer máquina, a máquina governativa é uma máquina, portanto há desgastes e naturalmente, há necessidade, portanto, volvidos todo esse tempo de governação, a necessidade de refrescamento de determinadas estruturas”.

Quanto a polémica indigitação do cidadão francês, Vincent Miclet para Cônsul são-tomense em Marraquexe, Marrocos, Jorge Bom Jesus disse que “ o problema está ultrapassado” tendo sublinhado que “ Há um processo que foi desencadeado que gerou polémica a volta e que o Conselho de Ministros deliberou no sentido da sua suspensão, portando, quanto a mim o processo está morto”

“ Todavia, para que se realize com o ministério dos Negócios Estrangeiros diligências com maior profundeza e em momento oportuno, se for o caso voltaremos a reanalisar a questão”, acrescentou o primeiro-ministro sobre caso da indigitação do Cônsul Vincent Miclet.

 Durante a entrevista, Jorge Bom Jesus, falou também das relações privilegiadas no âmbito da política externa do país, numa prespetiva de atração de investimento externo, tendo citado alguns países, designadamente, Angola, China, Portugal, Brasil, EUA, bem como outras “relações muito saudáveis”, referindo-se a India, Japão, Marrocos, Nigéria entre outros Estados que cooperam com São Tomé e Príncipe.

“ São Tomé e Príncipe é um País virgem, portanto, é rico em oportunidades e potencialidades, são ilhas de facto praticamente inexploradas, e vamos continuar a acarinhar os parceiros que queiram partilhar estes recursos e potencialidades connosco”, sustentou Jorge Bom Jesus.

Quanto a política, Bom Jesus disse que “ nós precisamos de paz, digamos uma paz natural, genuína, mas, aqui estou a pensar mais na paz política, na estabilidade política e governativa para que haja paz social, porque sem, isto será muito difícil o desenvolvimento do país”.

Ao defender a continuidade de reforma no sector da justiça, Jorge Bom Jesus disse que “ ninguém vem para São Tomé e Príncipe sabendo que há uma justiça que não funciona”, tendo sublinhado que “ nós queremos uma justiça caca vez menos politizada e longe dos políticos”.

Além de projectos de reparação e construção de infraestruras tais como estradas, casas sociais, escolas bem como a expansão de abastecimento de água, sobretudo, nas comunidades rurais, Jorge Bom Jesus defendeu a privatização parcial da empresa de Agua e Electricidade, EMAE.

“Haverá necessidade também de se privatizar parte da EMAE, veremos se produção, se distribuição, os estudos estão a ser feitos em consonância com os nossos parceiros” disse Jorge Bom Jesus, sublinhando que “ São Tomé e Príncipe teria muita dificuldade de deslocar-se economicamente sem se revolver o problema energético”.

Tendo destacado a relevância do agricultura e citado o projecto COMPRAM avaliado em 25 milhões de dólares para os próximos seis anos, bem com o setor do turismo, pescas e serviços, Bom Jesus disse que “ não podemos ter um desenvolvimento de costas viradas para o mar, porque, o mar é um potencial inesgotável que temos”.

“ Vamos precisar de mobilizar parceiros estratégicos a esse nível” disse Jorge Bom Jesus, sustentando que “ nós não estamos em condições sozinhos para garantir a segurança de tão vasta área económica-marítima” que São Tomé e Príncipe dispõe.

Fim/RN

Por ser domingo, o feriado de 12 de Julho será gozado na segunda-feira, dia 13

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Por: Ricardo Neto, jornalista da Agência de Notícias STP-Press

São-Tomé, 09 Jul ( STP-Press ) – O ministério são-tomense da Justiça e Administração Pública acaba de anunciar que o feriado relativo ao domingo, 12 de Julho, Dia da Independência Nacional, será gozado na segunda-feira, dia 13 de Julho de acordo com um comunicado desta instituição enviado esta tarde a STP-Press.

“Será gozado posteriormente no dia 13 de Julho (segunda-feira) o feriado relativo ao dia 12 de Julho de 2020 (Dia da Independência Nacional”, – lê-se no comunicado do ministério assinado pelo directora do gabinete Lubilhana Andrade, citando alguns artigos da lei do Estatuto da Função Pública conjugados com outros do Código de Trabalho.

“ Sempre que o descanso semanal coincida com o dia feriado, o funcionário e agente têm direito de o gozar antecipadamente na sexta-de se for num sábado, ou numa segunda-feira se for num domingo”, sustenta o comunicado aludindo ao número 2 do artigo 9º da lei nº2/2018 do Estatuto da Função Pública conjugado ao nº1 do artigo 185 do Código de Trabalho aprovado pela lei nº6/2019.

São Tomé e Príncipe comemora domingo, dia 12 de Julho, os 45 anos da Independência nacional, com realce para o acto central a ser realizado no palácio presidencial com um número restrito de convidados a semelhança de todo o programa do festejo, bastante diferente do habitual, por causa da pandemia do coronavírus, a Covid-19.

Fim/RN

Covid-19: São Tomé e Príncipe regista mais 1 óbito, subindo para 14 mortes e 726 casos por acumulação

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Texto: Ricardo Neto e Leonel Mendes ** Foto: Lourenço da Silva

São Tomé, 09 Jul 2020 ( STP-Press ) São Tomé e Príncipe registou  hoje uma nova morte por coronavírus, subindo para um total de 14 óbitos já registados, tendo-se ainda registado 2 casos novos, elevando para um total de 726 casos positivos acumulados, anunciou esta tarde a porta-voz do ministério da Saúde, Isabel Santos.

Segundo a porta-voz do ministério público nas últimas 24 horas registou-se o falecimento de uma rapariga de 14 anos no hospital de campanha devido ao coronavírus, subindo de 13 para 14 casos de óbitos já registado desde da declaração da doença no País.

A porta-voz revelou que nas últimas 24 horas foram realizados um total de 18 testes PCR, tendo resultado, 15 negativos e 3 positivos, dos quais, somente dois são casos novos.

O documento anuncia total subiu de 724 para 726 casos positivos por acumulação, dos quais, 422 encontram-se em isolamento domiciliar, 7 internados no hospital de campanha, 283 recuperados e 3 pacientes suspeitos nos serviços sintomáticos respiratórios.

Fim/RN

Covid-19: OMS dá 50 concentradores de oxigênio avaliados em 34 mil USD para combater a pandemia

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Texto: Ricardo Neto *** Foto: Lourenço da Silva

São Tomé, 09 Jul 2020 ( STP-Press ) –   A Organização Mundial da Saúde, OMS, acaba de doar a São-Tomé e Príncipe de um lote de 50 concentradores de oxigênio para combater a pandemia da Covid-19, avaliado em 34 mil dólares – anunciou hoje o representante da organização, Antonin Mankele.

O acto de entrega aconteceu esta manhã num armazém, situado na capital de São-Tomé, onde ministro são-tomense da Saúde, Edgar Neves recebeu oficialmente os equipamentos das mãos do representante da OMS, Antonin Ray Mankele.

 Na sua intervenção o representante da OMS Ray Mankele disse “ esta ajuda não está somente virada para o combate a pandemia do Covid-19, mas também para o reforço do sistema de saúde são-tomense”.

Tendo garantido a continuidade de ajuda a São Tomé e Príncipe, sobretudo, através de apoio de equipamento no âmbito de combate a pandemia, o representante da OMS aproveitou para felicitar as autoridades pela forma como tem controlado a doença tendo citado como exemplo inexistência de casos de óbitos há pouco menos de duas semanas.

Além de ter expressado agradecimentos em nome do governo e do povo são-tomense, o ministro da Saúde, Edgar Neves sublinhou que “este equipamento é extremamente importante no tratamento de todas as situações do fórum respiratório quer seja por Covid-19 ou por qualquer outra doença”.

Tendo garantido um melhor aproveitamento possível dos equipamentos na melhoria de resposta a doença, Edgar Neves disse que a situação “ é difícil, mas sentimos força para vencê-la ainda mais com a vossa ajuda”.

Nos meios clínicos, o concentrador de oxigénio é um equipamento médico de apoio a respiração do paciente e tem função de fornecer o oxigénio complementar aqueles cujos níveis de oxigênio no organismo se encontram baixos.

A pandemia do coronavírus já causou 13 mortes em São Tomé e Príncipe, tendo infetado 724 pessoas, das quais, 283 já foram recuperadas da doença.

Fim/RN

Ministro Adlander Matos preside cerimónia de inauguração da sede dos taxistas

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Texto: João Soares **Foto: Lourenço da Silva

São-Tomé, 09 Jul. 2020 ( STP-Press ) – O ministro são-tomense de Trabalho, Solidariedade e Família, Adlander Matos presidiu hoje quinta-feira (09) a cerimónia de inauguração da sede da Associação Nacional dos Taxistas em Boa Morte , capital de São Tomé,  num projecto avaliado em 920 mil dobras, em cerimónia testemunhada pelo ministro das Obras Públicas, Osvaldo Abreu.

Na sua intervenção o Ministro Adlander Matos disse que “quero em nome do governo expressar a nossa total satisfação de podermos hoje entregar esta obra simbólica inaugurada na véspera do (45º) aniversário, da independência”, tendo sublinhado que “tudo fizemos para que 45 anos após a nossa Independência pudéssemos premiar uma organização que muito vem fazendo pelas nossas vidas”.

O governante declarou que “um gesto de reconhecimento por tudo que vocês fizeram por São Tomé e Príncipe e pelo são-tomense, daí manifestar a total disponibilidade do Governo em continuar a trabalhar convosco no sentido de melhorar as vossas actividades”.

“Muito desafios nós temos pela frente a Associação Nacional dos Taxistas infelizmente ainda hoje está no sector informal a toda a necessidade de trabalhar connosco, o Governo, Ministério de Trabalho em particular, através do Instituto Nacional da Segurança Social, no sentido de vocês passarem a entrar na segurança social através do regime independente”, disse Adlander Matos no seu discurso diante dos taxistas.

Adiantou “daí mais uma vez reforçar a firme vontade e abertura do Governo em continuar a trabalhar convosco no sentido de ajudar-vos a melhorar as vossas vidas e vocês prestarem mais e melhor serviço a São Tomé e Príncipe”.

Plácido Paulo, presidente da Associação dos Taxistas, disse no seu discurso que “a partir de hoje temos uma grande oportunidade para nos organizarmos devidamente e preparar para o desafio futuro”.

“Quero em nome de todos os taxistas agradecer o Governo por esta obra, e tudo faremos para o bom uso, e profundo reconhecimento a todo quantos deram melhor de si para que esta obra fosse hoje uma realidade” acrescentou Placido Paulo.

Fim/ JS

“A sociedade está doente, mas é necessário que todos nós sejamos médicos e enfermeiros” – Lázaro Afonso

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Lázaro Afonso, Director da Cadeia Central de São Tomé e Príncipe em entrevista exclusiva a STP-Press

Entrevista & Texto: Telmo Trindade ** Foto: Lourenço da Silva

São-Tomé, 09 Jul 2020 ( STP-Press) – A cadeia central, oficialmente Serviços Prisionais e de Reinserção Social (SPRS),  sob a direcção do criminólogo Lázaro Afonso,  tem vindo a efectuar diversas actividades de cunho social, porém alvo  de interpretações outras. No passado sábado, mais uma acção; limpeza do cemitério de S.João da Vargem.

Mas o outro lado da moeda diz que os reclusos estão a mais para a capacidade das instalações e que as condições brigam com os direitos humanos, acusação aliás feita em 2018 pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos da América. A STP-Press foi então auscultar o Director Lázaro Afonso.


STP-Press- Senhor Lázaro, o senhor é de novo Director deste estabelecimento….


Lázaro Afonso – Sim, sim. Mas em primeiro lugar, os meus agradecimentos pelo facto de a Comunicação Social ter vindo até nós para conhecer as nossas acções e ouvir as nossas preocupações. Não é a primeira vez que agimos no cemitério de S. João da Vargem. E não é somente neste cemitério, nem são apenas cemitérios. São também mercados, a própria cidade e todos os locais que identificamos e entendemos que devemos participar para o bem-estar da nossa sociedade. Estamos uma vez mais a intervir no cemitério de S.João da Vargem para a sua limpeza, porque tanto nós como aqueles que trazem os seus ente queridos para esta última morada, constatamos que é lamentável o estado deste cemitério. Tudo para mostrar que nós, como parte do governo, estamos preocupados com o desenvolvimento sócio-económico do nosso país. , Até porque, sobretudo agora com esta pandemia  do Covid-19, quanto mais tivermos espaços limpos, ou seja higienizados, melhor para todos.


STP-Press- E em que consiste de facto a vossa acção deste sábado neste cemitério?

Lázaro Afonso – Bem, é a terceira vez que aqui intervimos. Temos parceria com a Câmara distrital de Água-Grande, e sendo o cemitério última morada como se diz mas muitas vezes esquecido, nós entendemos que devemos prestar a devida homenagem limpando. Nós não temos outra coisa que dizer, senão deixar este lugar limpo, não permitir que se transforme num matagal.


STP-Press – Se a memória não nos falha, houve tempos em que o senhor teve experiências amargas com intervenções destas, por causa de interpretações outras. Por exemplo, no mercado municipal…


Lázaro Afonso – Note, muitas coisas que alguns elementos da nossa população dizem, é porque nada fazem ou então não querem ou não fazer. Se bem que há pessoas que fazem com a boca…. e outras com as mãos. Eu aprendi a fazer com as mãos. Porque a melhor forma de combatermos qualquer mal, é termos o conhecimento do mal. E eu tenho conhecimento do mal. Muitas vezes digo que nós não temos outro São-Tomé e Príncipe, apenas um e único São-Tomé e Príncipe. Somos um único povo que se chama santomense. Aqueles que continuam a tentar desviar as nossas atenções, com a direcção dos serviços prisionais  estão a perder tempo. Porque vamos continuar a fazer,  já que o nosso papel é também resocializar os reclusos. Levar os reclusos à verdade, fazendo com que  trabalhem, com que também contribuam para o bem. Vamos continuar a trabalhar por esta nossa sociedade. Para já, o mercado de Bôbô-Fôrro já reclama a nossa intervenção. São já várias vozes a dizerem que os nossos serviços devem intervir também naquele mercado. Só que somos um povo muitas vezes difícil de se compreender. Temos alguns dirigentes difíceis de se compreender, temos alguns políticos que nem sei se são políticos, tudo difícil  de se comprender. Mas, pronto, isso é normal em qualquer sociedade. A sociedade é heterogénea e, assim sendo, temos que contar e conviver com todo o cenário. Da parte dos serviços prisionais, a nossa vontade de servir é grande. Ela supera todas as intenções  ou motivações daqueles que só sabem falar.  Sei que vão continuar a falar, mas eu faço e trabalho como santomense e com sentido de responsabilidade.


STP-Press – Referiu-se a parceria com a Câmara de Água-Grande. E com os bombeiros?

Lázaro Afonso – Os bombeiros vêm fazendo o seu trabalho. São uma força em constante acção. De dia, de noite,… uma equipa muito sacrificada.


STP-Press – A outra Cruz Vermelha…..


Lázaro Afonso – Uma Cruz Vermelha sim. Estão sempre  no terreno, aqui, acolá, em todas as partes, a  apagar fogos, a socorrer. E já agora, aos colegas bombeiros, muita coragem e que saibam que estamos sempre com eles para tudo quanto for para o bem de São-Tomé e Príncipe.


STP-Press – As intervenções da cadeia central fora das instalações envolvem reclusos. Há garantias de segurança?


Lázaro Afonso – Bem, por essa razão é que nós procuramos fazer o nosso trabalho com um certo cuidado. Em toda parte do mundo há fuga de reclusos, até mesmo nos grandes países com condições que aqui não temos. Só que o problema é que o nosso povo e mesmo responsáveis deste país, não entendem nada dos serviços prisionais. Pensam tratar-se dum serviço qualquer. Mas é um serviço de muita responsabilidade. É verdade que muitas das vezes  não temos apoio, não porque o Governo não queira dar, aliás temos consciência de que o Governo nem sempre está a altura de pontualmente acudir a todas as instituições do Estado. Daí que cabe a cada um de nós a frente de cada instituição fazer alguma coisa, ter iniciativas. Muita gente fala de serviços prisionais, reclama sobre visitas e alimentação, que somos muito rigorosos, mas temos que entender mas ao mesmo tempo fazer com que as pessoas entendam que estamos a lidar com pessoas que cometeram erros, crimes. Uns violaram, outros roubaram, furtaram, cometeram homicídio,…… um conjunto de crimes que reclamam trabalho sério.


STP-Press – Ajude-me a perceber.  Embora criminosos, não deixam de ser seres humanos. Será isso?….


Lázaro Afonso – É que nós muitas das vezes não temos que ver para os crimes que cometeram. Temos que ver são homens, são mulheres, são seres humanos.  E temos que trabalhar também na perspectiva de levá-los de volta a sociedade, fazer-lhes entender que têm utilidade fora das grades.


STP-Press – Tanto é que a instituição se designa Estabelecimento Prisional e de Reinserção Social…


Lázaro Afonso – Claro. Porque a parte mais importante dos nossos serviços é a reinserção social. Pois, o nosso objectivo é fazer com que aqueles que cometeram erros sociais punidos por lei, possam depois regressar a sociedade com outro tipo de comportamento. Muitas vezes somos acusados de violar direitos hunamos ao levarmos os reclusos a trabalhar, mas a única coisa que assegura a vida do ser humano é o trabalho. Sem trabalho, nada somos.


STP-Press –  E como é o dia-a-dia nesta instituição?


Lázaro Afonso – Normal como em qualquer prisão. Só que temos outra filosofia de trabalho. Somos tutela dum Ministério que prima por um tratamento mais digno  dos homens e fazemos tudo com base nas nossas condições, mormente financeiras. Temos muitas dificuldades, como têm os hospitais ou outras instituições. Só que temos uma missão com outra especificidade. Porque trabalhamos com pessoas que cometerem actos que a lei condenou e cabe-nos encontrar uma filosofia a altura de dar resposta ao tratamento desses indivíduos e fazer, repito, com que eles regressem as suas casas ou a sociedade com nova postura.


STP-Press –  Todos quantos aqui se encontram já foram julgados?


Lázaro Afonso – Como sabe, é normal. Aqui em STP como em qualquer outra parte do mundo, há a chamada prisão preventiva. Temos reclusos em prisão preventiva. É normal, aliás os nossos tribunais também têm as suas dificuldades.


STP-Press –  Não há limite de tempo?


Lázaro Afonso – Ainda que haja. Mas temos que ver, repito,  que os nossos tribunais também têm as suas dificuldades. Os nossos juízes e os funcionários dos tribunais não são super-homens. Têm que trabalhar de acordo com as condições que têm e sei que muitas vezes chegam a trabalhar até a noite para darem resposta aos problemas de cada um.


STP-Press – Já agora, imaginemos que um indivíduo comete um crime passível de um ano de reclusão, mas chega a cumprir cerca de dois anos de prisão preventiva….


Lázaro Afonso – Isso nunca aconteceu. É que há muita gente que fala da lei, mas que não conhece a lei. E existem alguns indivíduos que estudaram Direito e que talvez passaram pela escola e não nutriram realmente os conhecimentos. Eu sei que há alguns indivíduos que estudaram Direito, não sei se por emoção ou por que carga de espírito,  que chegam a passar aos parentes dos reclusos informações que não correspondem a verdade. Como dizia um grande pensador cubano (José Martí), “eu vivo no monstro e conheço suas entranhas”.  Eu sou aquele indivíduo  que as pessoas criticam. Mas se me criticam é porque estou a fazer alguma coisa. Caso contrário, ninguém saberia de Lázaro Afonso. Sobre os serviços prisionais quero dizer que, com este Governo, muita coisa  melhorou. A alimentação dos reclusos, por exemplo,  melhorou consideravelmente.


STP-Press – Senhor Director, vem aí o Doze de Julho, depois o Natal, a transição do ano. Como é que essas celebrações são feitas na cadeia?


Lázaro Afonso – Fazemos essas celebrações duma forma que orgulha a qualquer pessoa. Porque nessas ocasiões, damos tratamento aos reclusos como cidadãos nacionais. Não os vemos como pessoas que cometeram crime. Pura e simplesmente, homens santomenses. A única diferença é que não têm  a mesma liberdade  ou direito como eu ou o senhor.


STP-Press – Há até quem diga que os reclusos até têm melhor vida que os não privados de liberdade…..


Lázaro Afonso – Eu acho que sim. Eles têm guardas que cuidam deles, têm médicos e enfermeiros, têm água e energia, têm edifício em condições um pouco difíceis mas têm, têm refeição a hora, enfim, o que um ser humano deve ter. Só não damos mais porque não estamos a altura. E aproveito para informar que no próximo dia 11 de Julho iremos realizar uma exposição no jardim 1º de Maio para mostrarmos um conjunto de objectos produzidos pelos reclusos: sacos de palha, vassouras, cestos, etc. Aqui os reclusos aprendem muita coisa.  E cantam,. fazem peças teatrais,… divertem-se.


STP-Press – De qualquer forma, cadeia, é cadeia. Não tem porventura havido alguma tentativa de suicídio? 


Lázaro Afonso – Não. Não e nem haverá, mas pronto, o futuro dirá. O trabalho que estamos a fazer e com a incorporação de novos homens, queremos trabalhar na aproximação dos reclusos. Os reclusos não são nossos inimigos. São  apenas pessoas que cometeram erros. E eu costumo dizer que há três coisas na vida que ninguém devia negar: o hospital, a cadeia e o cemitério. São três lugares ou instituições de que ninguém deve dar-se ao luxo de dizer que de lá não passará. Só que aqui está o comportamento, porque a cabeça não é apenas para se pensar mal. Não acompanhemos alguns indivíduos que não sabem o que significa a sua existência. Há necessidade de nós trabalharmos. Hoje é você, amanhã será outro. O mais importante é reconhecer o trabalho de cada um, independentemente de você não gostar.  Mas reconheça o trabalho do outro. Cada um coloca a sua pedra. Cada um faz a sua planta e rega como pode e deve. Cada um espera a sua vez. E esperando a sua vez, eu tenho certeza de que em conjunto das instituições, nós formamos o Estado, um Estado forte.


STP-Press –  A querer dizer que este Estado precisa assumir-se como tal…


Lázaro Afonso – Sim, sim. Mas eu refiro-me concretamente a algumas pessoas que muitas das vezes falam de coisas que nem conhecem. Nós muitas vezes aproximamo-nos dos ignorantes para  levarmos a nossa ignorância  a enriquecer mais os outros ignorantes. E quando os ignorantes se aproximam dos outros também ignorantes, estão se destruindo mutuamente tentando destruir os outros. 
STP-Press – Poderá ser mais directo?


 Lázaro Afonso – É que temos alguns indivíduos na nossa sociedade que,…. enfim. Uns são carpinteiros e querem falar mal de sapateiros. Uns são sapateiros e querem falar de estudiosos. Mas eu quero citar um grande criminólogo, o australiano Maurice Cusson: “só se pode combater a criminalidade, com conhecimento”. Isso quer dizer que nós só podemos combater os males com conhecimento. Eu apelo a aqueles que não sabem, ou julgam que são fortes porque gostam de A ou B para que mudem de comportamento para o bem-estar de São-Tomé e Príncipe. Há necessidade de se ler. Aqueles que não lêem, não estudam, não podem falar mal dos que lêem ou estudam. O saber e o conhecimento desenvolvem o mundo.


STP-Press – Então, para o fecho da entrevista?


 Lázaro Afonso – Dizer que nós, serviços prisionais e de reinserção social, estamos empenhados em trabalhar para o bem-estar de São-Tomé e Príncipe. Com este Governo, vamos fazer de tudo para justificar a nossa presença, mostrar que queremos trabalhar, fazendo obras.


STP-Press – No entanto, tem havido vozes sobre eventual superlotação na cadeia central, aliás em 2018 os Estados-Unidos da América  acusaram o Governo santomense de violar os direitos humanos no estabelecimento….


 Lázaro Afonso – Não existe superlotação. Não existe. Os americanos criticam os outros, mas nunca deixam ninguém ver a sua casa. Eles têm as condições que têm, mas têm muitas violações em território americano. Portanto, nós aqui trabalhamos com base na nossa realidade. Se querem que mudemos as coisas, que ajudem o nosso Governo a nos dar melhores condições. Nós não temos superlotação. Nós temos uma realidade que é nossa. Aqueles que nos criticam   devem dar-nos a mão para não fazermos e poderem dizer que nos apoiaram e não fizemos. Que eu saiba, os ventiladores destas informações nunca deram nada a cadeia central.


STP-Press – E neste momento,  são quantos os reclusos?


 Lázaro Afonso – Aproximadamente trezentos. Mas mais do sexo masculino e jovens. Mais jovens.


STP-Press – Que leitura?


 Lázaro Afonso – A sociedade está doente. Mas é necessário que todos nós sejamos médicos e enfermeiros.

Fim/RN

WACA lança projeto avaliado em 400 mil dólares na comunidade de Micoló

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Por: João Soares da Agência de Notícias STP-Press

São-Tomé, 08 Jul. 2020 ( STP-Press ) –O projeto em Investimento em Resiliência das Áreas Costeiras da África Ocidental, WACA, presidiu na manhã de terça-feira em Micoló a cerimónia do lançamento de um projeto urbano avaliado em 400 mil dólares, e que culminou com a entrega de um moto carinha como contrapartida a um agricultor que tinha utilizado esta parcela para fazer as suas plantações onde irá ser urbanizado.

‟São cerca de três hectares de terras que vai ser urbanizado, no entanto, esse espaço já estava destinada para urbanização, e este agricultor tinha utilizado para fazer as suas plantações enquanto não se utilizava a área‟, disse o Coordenador do Projeto WACA Arlindo Carvalho, acrescentando que ‟enquanto decidimos utilizar esta área por isso mesmo decidimos compensar as plantas das bananeiras que ele tem ali, em contrapartida, compensa-lo com uma moto carinha para que este agricultor continua a ter uma atividade económica para sustentar a si e a sua família.

Assegurou Arlindo Carvalho, ‟No âmbito do projeto WACA, estamos a criar em todas as comunidades costeiras aquilo que chamamos de zona de expansão segura, em maioria das comunidades costeiras têm muitas casas que estão situadas nas zonas de riscos, com este projeto pretendemos criar novas zonas de expansão segura nessas comunidades, para permitir que estas casas que estão na zona de risco possam passar para zonas seguras‟.

Tendo sublinhado ainda, este responsável do projeto WACA, ‟nós fizemos um levantamento e nós já realizamos todos os trabalhos na zona de Santa Catarina, Malanza, Praia Burra, Abade, e hoje estamos em Micoló e no próximo meses estaremos em Iô-Grande, tendo acrescentado que ‟estamos neste momento na futura zona de expansão segura de Micoló, onde estão previstas transferir cerca de 40 casas que estão na zona de risco para zona segura‟.

“Nesta zona de expansão segura, não é só a casa que vamos introduzir, vamos introduzir também algumas infraestruturas sociais, aqui na comunidade de Micoló pediram escola, e nós estamos a preparar um projeto para além das casas que vamos introduzir e criamos todas as infraestruturas necessárias para urbanização social bem como a via de acesso, redes de água, esgotos, postes de energias, para na realidade esta zona possa ser uma verdadeira área de expansão turística da comunidade de Micoló”, disse o Coordenador do Projeto WACA Arlindo Carvalho.

No entanto, na pessoa do vereador para área Social da Câmara Distrital de Lobata, Eudes Nascimento, congratulou com o projeto lançado pelo WACA, tendo em conta a sua importância para comunidade de Micoló, ‟congratulamos com esta iniciativa, tendo em conta é um projeto ambicioso, que vai beneficiar a comunidade uma vez que nós sabemos, devido o aquecimento global tem estado a perder o nosso espaço da orla marítima devido a eurozão costeira‟, acrescentando que ‟com a obtenção deste (três) hectares de terra, eu acredito que a geração futura que não tem espaço poderá obtê-lo posteriormente‟, disse.

Fim/JS

Primeiro-ministro Jorge Bom Jesus distinguido com o prémio Mutualismo e Solidariedade.

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Por: Waldyner Boa Morte em cortesia a Agência de Notícias STP-Press

São-Tomé, 8 Jul ( STP-Press ) – O Primeiro-ministro são-tomense Jorge Bom Jesus, foi distinguido com o Prémio Mutualismo e Solidariedade, segundo os organizadores da iniciativa, “encarar o modelo mutualista português como uma fonte de inspiração para o desenvolvimento económico e social do país”, soube-se hoje em São-Tomé.

O chefe do Governo são-tomense intervinha por videoconferência, numa sessão virtual evocativa do Dia Nacional do Mutualismo, promovida pela União das Mutualidades Portuguesas.

“Este prémio dá-me mais força para continuar a trabalhar nos laços de cooperação e de amizade com Portugal e com as suas instituições”, disse o primeiro-ministro, esta quarta-feira, ao longo da videoconferência de atribuição do prémio.

O Mutualismo é um sistema privado de proteção social que visa o auxílio mútuo dos seus membros. É uma forma de organização económica em que os associados são parte ativa na definição da sua auto proteção social, assente numa solidariedade responsável.

Jorge Bom Jesus assinalou, por outro lado, “o momento excecional” que se vive em todo o mundo no contexto da pandemia de covid-19, congratulando-se com o facto de São Tomé e Príncipe ter beneficiado de “uma vasta teia de solidariedade internacional” no combate à doença.

“Num país em que a pobreza grassa, foi preciso mobilizar o apoio das organizações não-governamentais, nacionais e internacionais, do governo, da diáspora e das cooperações bilaterais e multilaterais para podermos levar a cabo algumas acções”, apontou.

O Chefe do Governo assinalou, além da vertente de saúde, a distribuição de 30 mil cestas básicas às famílias vulneráveis, bem como a atribuição de ajudas financeiras, com o apoio do Banco Mundial, a cerca de 2.600 famílias.

“É um processo que vamos alargar para cerca de 20 mil famílias”, estimou, sublinhando igualmente o apoio às pessoas com deficiência, às crianças e aos idosos.

Para o Primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, a pandemia de covid-19 foi também “uma oportunidade para a afirmação dos valores do humanismo”.

Fim/ WBM

Covid-19: São Tomé e Príncipe não registou nenhum caso positivo e 4 recuperações nas últimas 24 horas

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Texto: Ricardo Neto e Leonel Mendes ** Foto: Lourenço da Silva

São Tomé, 08 Jul 2020 ( STP-Press ) São Tomé e Príncipe não registou nenhum caso novo positivo e 4 recuperações nas últimas 24 horas e, o número total manteve-se em 724 casos por acumulação, anunciou esta tarde a porta-voz do ministério da Saúde, Isabel Santos.

De acordo a porta-voz, 4 doentes da Covid-19 foram recuperados nas últimas 24 horas, tendo o número de recuperações subido de 279 para 283.

A porta-voz revelou que nas últimas 24 horas foram realizados um total de 10 testes PCR, tendo resultado, 5 negativos e 5 positivos, dos quais, nenhum é caso novo.

O documento anuncia total manteve-se em 724 casos positivos por acumulação, dos quais, 422 encontram-se em isolamento domiciliar e 6 internados no hospital de campanha.

A porta-voz do ministério da saúde anunciou 6 pacientes suspeitos nos serviços sintomáticos respiratórios, enquanto o número de óbitos mantém-se em 13.

Fim/RN

Primeiro-Ministro inaugura um novo edifício anexado a sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros

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Por: Ricardo Neto e Jorge Lazaro da Agência de Notícias STP-Press

São Tomé, 8 Jul 2020 ( STP-Press ) –  O ministério são-tomense dos Negócios Estrangeiros conta a partir de hoje com novo edifício anexado a sua sede, inaugurado esta manhã pelo primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, ladeado pela ministra da tutela, Elsa Pinto, em cerimónia das comemorações dos 45 anos da independência, a assinalar-se domingo, 12 de Julho.

Na sua intervenção, Jorge Bom Jesus disse que “a inauguração deste edifício é um marco. E, nestas estruturas físicas nós temos a coabitação do passado com presente, a parte que herdamos do período colonial e esta nova, em que estamos a lançar as bases de um São Tomé e Príncipe diferente”.

“Espero que as condições em termos de espaço físico e de trabalho estão criadas … para um futuro diferente, sobretudo, potencializar esta vertente política externa para …atingirmos o porto seguro, a terra prometida”, sublinhou Jorge Bom Jesus.

Tendo defendido uma política externa virada “para a economia, para desenvolvimento, para atração de investimento direto estrangeiro” Jorge Bom Jesus assegurou que “vamos modernizar a cooperação”

A ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Elsa Pinto disse que “a inauguração deste edifício é uma grande vitória para o governo, para política externa e para todos os quadros deste ministério”.

“Não há melhor sabor de vitória senão houver luta e a luta tem de ser constantes nas nossas vidas para saborearmos o gosto da vitória”, – disse Elsa Pinto, sublinhando que “não posso deixar de endereçar uma palavra de apreço aos meus colegas ministros que por aqui passaram”.

“Um edifício faz-se colocando pedras sobre pedras, uma Nação faz-se colocando pedras sobre pedras, cada um coloca sua pedra, eu coloquei o toque final da pedra”, disse Elsa Pinto, argumentando que “ isto é que é importante, caminharmos juntos”, tendo ainda acrescentado que “não nos devemos divergir, não devemos distrair com aquelas questões que não são fundamentais…”.

 Fim/RN/JL

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