São-Tomé,
13 Nov. ( STP-Press ) – Uma delegação são-tomense chefiada pela
ex-primeira-ministra, Maria das Neves acompanhada do ex-ministro, Salvador
Ramos, encontra-se em Nairobi Quénia na Cimeira sobre Acelerar a Promessa de
Cairo, numa representação que integra quadros governamentais, parlamentares,
associações de jovens e do escritório do UNFPA.
O
grande objetivo da cimeira é relançar o movimento
pelos direitos e escolhas para todos. Salvar
a vida das mães, atender à demanda global por contracetivos e acabar com a
violência contra mulheres e meninas até 2030, está no centro da cimeira com término
previsto para esta quinta-feira, dia 14.
A Cimeira CIPD25 ocorre 25 anos após a Conferência
Internacional sobre População e Desenvolvimento, ou CIPD, no Cairo, onde 179
governos, entre os quais o de São Tomé e Príncipe, pediram por unanimidade o
empoderamento de mulheres e meninas em todas as áreas de suas vidas, incluindo a
saúde sexual e reprodutiva e direitos reprodutivos.
Nesta Cimeira de Nairóbi, os participantes anunciam compromissos
financeiros e programáticos, políticas e outras iniciativas destinadas a
alcançar todos os objetivos estabelecidos no Programa de Ação da CIPD de 1994.
O governo de São Tomé e Príncipe compromete-se “a intensificar os
esforços para acelerar sua implementação e financiamento na próxima década e,
consequentemente, alcançar as metas da Agenda 2030 para o Desenvolvimento
Sustentável”.
Recorde-se que o
chefe do executivo, Jorge Bom Jesus, reiterou na Conferência Nacional realizada
a 13 de agosto, “garantir o acesso universal aos serviços de saúde sexual e
reprodutiva, como parte da cobertura universal de saúde, conforme especificado
na Estratégia Integrada de Saúde Reprodutiva, Materna, Neonatal, Infantil e do
Adolescente 2019-2023”.
Além de responder
às necessidades dos jovens no que respeita, por exemplo, à redução da “taxa de
gravidez precoce de 15% para 10% até 2023”, o executivo de Jorge Bom Jesus
garantiu na altura a promoção do “crescimento económico sustentável e inclusivo”,
assim como “reduzir consideravelmente a violência baseada no género”.
Cinco questões principais estão no centro das preocupações
em Nairóbi: saúde sexual e reprodutiva como parte da cobertura universal de
saúde; o financiamento necessário para alcançar todos os objetivos do Programa
de Ação da CIPD; diversidade demográfica e seu poder de estimular o crescimento
económico e o desenvolvimento sustentável; medidas para acabar com a violência
de género e práticas prejudiciais contra mulheres e meninas; o direito à saúde
sexual e reprodutiva, mesmo em contextos humanitários e frágeis.
As discussões em Nairóbi também destacam a necessidade e o
poder absoluto de igualdade de género, liderança juvenil, liderança política e
comunitária, inovação e dados e parcerias para acelerar mudanças – sendo que,
sem a realização da CIPD, o mundo não poderá alcançar as metas de desenvolvimento
sustentável que sustentam a Agenda 2030.
Hoje, estima-se que 232 milhões de mulheres no mundo desejam
impedir a gravidez, mas não usam um método contracetivo moderno. Todos os dias,
mais de 800 mulheres morrem de causas evitáveis durante a
gravidez e o parto, cerca de 80.000 mulheres por ano, somente na região Ásia-Pacífico. Todos os dias, estima-se
que 33.000 meninas são forçadas a se casar. E a cada ano,
mais de 4 milhões de
meninas são vítimas de mutilação genital feminina.
A cimeira reúne um grupo excecionalmente diversificado de
pessoas, incluindo altos funcionários do governo, líderes de opinião,
especialistas, líderes religiosos, ativistas e organizadores da comunidade,
jovens, líderes empresariais, povos indígenas, líderes comunitários, instituições
financeiras internacionais, pessoas com deficiência, académicos e muitos outros
parceiros dos Media, ou de direitos humanos e direitos sexuais e reprodutivos.
Os governos do Quénia e da Dinamarca são coorganizadores da
Cimeira, juntamente com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), que
também recebe o apoio financeiro de outros governos e organizações parceiras
privadas.
Fim/JR/RN